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Quando um juiz não é Magistrado

Magistrado é aquele que, intimamente convencido, independente de forças externas ao processo que exijam a condenação, absolve ainda que colidindo com a vontade dessa maioria; e, igualmente condena, ainda que todos clamem pela absolvição de um réu, fundamentando sua decisão, em ambos os casos, de forma trasnparente como a imagem que se vê através de um espelho de cristal. Não fazendo dessa forma, é apenas alguém que ocupa uma das funções sociais mais importantes para a democracia, de forma ditatorial, pequena e arbitrária. Magistrado é aquele que se tiver que colocar condenados em liberdade, quando a prisão não apresenta condições mínimas para a execução da pena com dignidade humana, não teme fazê-lo diante da opinião pública ou midiática. Já aconteceu isso algumas vezes no Brasil. Sem advogados não existe democracia, é correto. Mas sem magistrados, ela nem nasce, e, se nascer, morre ao primeiro suspiro. No Brasil, regra geral, quando a mídia aponta para um juiz, ele é magistrado é a e…

Castigo

Castigo


Ocupas minha memória
em retalhos
que vou recolhendo
enquanto costuro uma história
eterna e inacabada,
que tem alicerce no nada,
para desembocar em sonhos
que levam
a lugar nenhum.

Te dei todo amor que eu tinha.
Tu, não tinhas nada.


Teu castigo não é ser vazia!

É o nunca ter sentido
amor algum...


Rio, 1 de Janeiro de 2017.


(Primeira visita do ano)

2016, Ano Macunaíma

Ano Macunaíma


Ouvi gente maldizer as horas do tempo desse ano que se despede deixando marcas nas praças e nas gentes, como fosse ele amaldiçoado, um pária, despojado até do direito de ter passado, de ser lembrado.  

-"Ano macunaíma, sonso e cretino assim, nem deveria ter existido", ouvi numa esquina, de duas mulheres vestindo camisetas verde-amarelas.

Realmente 2016 foi um ano ladeira abaixo para a maioria: os pobres, os banidos, os excluídos, as minorias que fazem parte dessa maioria de despossuídos de direitos que formam a grande base da pirâmide: a massa.

A bandeira da luta de séculos em busca de alguma justiça e igualdade social não resistiu desfraldada muito tempo; pouco mais de uma década e, durante ela, não passou uma semana inteira sem que sofresse atentados.

Uma, duas vezes, três vezes!  Mas, quatro vezes era insuportável.  Que negócio é esse de sairem da senzala? do jugo?  Que papo é esse de  invadirem meu shopping? 

Minha praia vá lá, água e areia tem mesmo pra todo mun…

Reaja, ainda que sozinho.

Reaja, ainda que sozinho.

Viver é se aventurar

Juliana​, minha querida.  Espero te encontrar feliz hoje; espero te encontrar feliz sempre, todas as vezes, em todos os dias de tua vida.   Dizem por aí que isso não é possível, com certa razão.  A felicidade permanente seria um tédio e faria da vida um saco, uma coisa sem sentido, né? Tipo desmotivante.  Imagina só milhões de copas d'água, uma cachoeira de águas geladas na nossa frente, e a gente sem a menor sede, sem qualquer vontade de beber coisa alguma.  Aff!  Não dá.  Por outro lado, imagine uma vida em que todos os nossos desejos, inclusive aqueles mais íntimos, se realizassem imediatamente...  Assim, de repente, parece uma coisa maravilhosa.  Mas com o tempo, um vazio imenso, um tédio massacrante  viriam nos abalar.  A certeza da realização imediata de todos os nossos anseios mataria a expectativa e ela é fundamental para a felicidade.  Sabe aquela espera de que algo aconteça, aquela pessoa apareça, ou a chuva caia?  Pois é, não existiria.  As manhãs perderiam o encanto, …

O golpe em evolução

O golpe em evolução 

Segundo informações colhidas na mídia, Antônio Palloci, ex-ministro da fazenda e da casa civil de governos petistas, foi preso porque “um ex-diretor da Petrobrás disse que Alberto Youssef teria pedido R$2 milhões em propinas para campanha política e que o pedido teria sido feito por encomenda de Palloci.”  Se for isso mesmo, o que estamos vivendo é algo monstruoso que deixará sequelas indeléveis na história do poder judiciário nacional. Usando apenas o comando legal, “a prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal”, a arbitrariedade salta aos olhos.   No caso, nenhum dos pré-requisitos legais está presente.  Não há que se falar em garantir a ordem pública vez que o Brasil está em paz, não há convulsão social, e Palloci não representa um risco a essa mesma ordem; muito menos se pode cogitar que a liberdade de Palloci possa de qualquer fo…